Recompensas acabam com a motivação das crianças?
A resposta curta
Podem, mas só de um jeito específico. Décadas de pesquisa mostram que prometer uma recompensa por algo que a criança já gosta de fazer pode apagar o interesse dela quando a recompensa acaba. Recompensas que reconhecem o esforço de verdade, continuam imprevisíveis e vão sendo retiradas aos poucos não têm esse efeito, e podem ajudar a criança que resiste a começar.
Quem já ofereceu "dez minutos de tela se terminar a lição de casa" já teve a mesma dúvida: estou ensinando a criança a aprender ou só a correr atrás de prêmio? A pergunta é justa, e a pesquisa tem uma resposta clara e específica, bem mais útil do que "recompensa é ruim" ou "recompensa é ótima".
Recompensas acabam mesmo com a motivação?
Podem, em uma situação específica: quando você recompensa a criança por algo que ela já gosta de fazer por conta própria. Em um estudo clássico de 1973, crianças da pré-escola que adoravam desenhar ganharam a promessa de um certificado pelo desenho. Depois, essas crianças desenharam menos no tempo livre do que as que não ganharam nada ou receberam uma recompensa surpresa. O prêmio tinha transformado, sem ninguém perceber, a brincadeira em obrigação.
Esse é o efeito de superjustificação: quando uma recompensa externa vira o motivo para fazer algo, o motivo da própria criança pode se apagar. Uma revisão de 1999 com cerca de 128 estudos encontrou o mesmo padrão: recompensas concretas, esperadas e ligadas apenas a fazer a tarefa tendem a reduzir a motivação intrínseca por aquela tarefa.
Então devo parar de usar recompensas?
Não, porque a mesma pesquisa mostra onde as recompensas não atrapalham e onde ajudam de verdade. O efeito é mais forte em atividades que já atraem a criança. Numa habilidade que ela evita ou acha difícil, ainda não existe motivação intrínseca para ser apagada, e uma recompensa pode dar o empurrão para começar. O estrago vem do formato da recompensa, e não da recompensa em si.
Veja o que as evidências indicam:
| Formato da recompensa | Efeito na motivação |
|---|---|
| Pagar por algo que a criança já adora | Pode diminuir o interesse próprio |
| Recompensar o esforço ou terminar uma tarefa difícil | Neutro a positivo, ajuda a começar |
| Recompensa inesperada ("surpresa, você mereceu") | Pouco ou nenhum efeito negativo |
| Elogio e feedback positivo | Tende a aumentar a motivação |
| Um contrato fixo de "faça X, ganhe Y", para sempre | Maior risco de dependência a longo prazo |
Como usar recompensas sem acabar com a vontade da criança?
Recompense o esforço, mantenha um pouco de surpresa e planeje a saída desde o começo. Elogie o que a criança fez ("você não desistiu dos mais difíceis") e não quem ela é ("você é tão inteligente"): o retorno sobre o esforço sustenta a motivação, enquanto o elogio por ser esperto pode levar a criança a fugir do que é difícil (Mueller & Dweck, 1998). Depois, vá retirando a recompensa à medida que a habilidade fica mais fácil.
Para fazer em casa
- Escolha uma habilidade que a criança evita, não uma que ela adora: treinar o ditado, não o desenho que ela já faz por diversão.
- Recompense a presença, não a nota: três noites de treino, e não "só se acertar tudo".
- Mantenha um pouco de surpresa. Um agrado inesperado depois de um bom esforço traz muito menos risco do que um contrato fixo.
- Diga o esforço em voz alta. "Você continuou mesmo quando ficou difícil" ensina exatamente o que você quer ver crescer.
- Planeje a retirada. Combine desde o primeiro dia que a recompensa são as rodinhas da bicicleta: quando o treino virar rotina, elas saem.
Onde a Brainimo entra
A Brainimo foi criada exatamente em cima dessa pesquisa. A criança ganha estrelas nos jogos curtos de aprender e também nas missões e tarefas que você define, então o esforço em casa, como treinar e ajudar nas tarefas, também conta, e não só as respostas certas no jogo. É você quem escolhe os prêmios, abastece o Balcão de Prêmios e aprova cada um deles, então nada é entregue pelas suas costas, e dá para diminuir ou desligar os prêmios conforme a criança ganha impulso próprio. A ideia não é subornar a criança para aprender para sempre; é deixar as primeiras semanas mais fáceis e depois sair do caminho. Veja como funciona na página inicial da Brainimo.
Usadas assim, as recompensas não são inimigas da motivação; o inimigo é um contrato permanente, esperado, por algo que a criança já ama. Reconheça o esforço, mantenha um pouco de surpresa e vá retirando aos poucos, e você tem o melhor dos dois mundos: um empurrão para começar e uma criança que segue em frente sozinha.
Perguntas que os pais fazem
Um quadro de recompensas vai acabar com o gosto da criança pela leitura?
Só se você pagar por uma leitura que a criança já adora. Para uma habilidade que ela evita, uma recompensa curta ajuda a dar a largada; quando ficar mais fácil, retire a recompensa aos poucos e o hábito costuma se sustentar sozinho.
Quadro de estrelinhas faz mal para a criança?
Não. A pesquisa fala de recompensar algo pelo qual a criança já tem interesse próprio. Um quadro de estrelinhas para tarefas, treino ou habilidades novas não tem problema, ainda mais quando recompensa o esforço e é retirado aos poucos.
O que funciona melhor do que recompensas para motivar?
Autonomia, a sensação de estar melhorando e elogios ao esforço, não a ser 'inteligente'. As recompensas funcionam melhor como um empurrão de curto prazo que vem por cima disso, e não no lugar disso.
Fontes
- Lepper, Greene & Nisbett (1973), 'Undermining children's intrinsic interest with extrinsic reward', Journal of Personality and Social Psychology
- Deci, Koestner & Ryan (1999), metanálise sobre recompensas extrínsecas e motivação intrínseca, Psychological Bulletin
- Mueller & Dweck (1998), 'Praise for intelligence can undermine children's motivation and performance', Journal of Personality and Social Psychology

